Rota 2030: Eletrificação é debatida pouco antes do anúncio da nova política

No dia 27 (quarta), governo e lideranças do setor automotivo discutiram a eletrificação automotiva no Brasil. O debate surge pouco antes do anúncio oficial da nova política industrial, a Rota 2013, que será anunciada finalmente na próxima semana. O assunto, inicialmente colocado em segundo plano, agora vem à tona com a preocupação do governo quanto ao posicionamento do país diante do crescente mercado de carros elétricos no cenário internacional.

Isso porque o Brasil tem como uma das missões ser um competidor global na produção de automóveis, visando assim exportar carros de qualidade para os mercados consolidados. No entanto, a tendência mundial é pela eletromobilidade, o que colocará o país em uma situação ruim, se o carro elétrico não for inserido no cenário industrial nacional.



Para a Anfavea, o tema é complicado. Segundo Antonio Megale, presidente da entidade que reúne os principais fabricantes de veículos no país, “um grande desafio é como vamos nos inserir no mercado. Temos que olhar para o que está sendo feito lá fora. Precisamos inserir essas tecnologias e produtos aqui no Brasil para que possamos, gradualmente, fazer parte da discussão global do assunto”.

Mas, se o Brasil quer ser um player mundial, então terá de aceitar a realidade. O carro elétrico veio para ficar. Na Europa, vários países já anunciaram o fim das vendas de carros movidos por gasolina e diesel, variando de 2025 a 2040. Além disso, a Índia já indicou 2030 como o fim da linha para os carros comuns, enquanto a China já discute impor uma data para essa reviravolta histórica. Nos EUA, o assunto ainda não é tema em nível federal, mas a Califórnia também quer o fim da gasolina e do diesel nos automóveis.

Ou seja, nos próximos anos, praticamente todos os principais mercados do mundo terão o carro elétrico como principal produto no mercado automotivo e o Brasil precisa estar inserido neste cenário. No Rota 2030, este tipo de veículo é um dos objetivos do programa, mas muitos acreditam que a solução para o assunto não virá neste momento. O governo diz que o Brasil está “atento” ao que ocorre no mercado internacional, mas ressalta que os elétricos conviverão com os carros comuns.

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2015 existiam um milhão de carros elétricos em circulação no mundo e que Noruega e Holanda tinham percentual de market share de 23% e 10%, respectivamente, sendo os líderes nesse novo mercado. O governo fechou uma parceria com a Alemanha, visando definir regras para a introdução sustentada do carro elétrico no Brasil.

Da reunião, participaram o MDIC e Anfavea, bem como Sindipeças, Abeifa, Associação Brasileira de Baterias Automotivas e Industriais (Abrabat), Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), AEA, BYD, WEG, Instituo Mauá de Tecnologia, CPFL Energia e Eletra. Além disso, o debate foi acompanhado por representantes dos ministérios de Minas e Energia (MME), Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Inmetro, Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e BNDES.

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