Rota 2030? Talvez nem em 2018

A novela do Rota 2030 parece ganhar mais um capítulo. Dessa vez, o novo regime automotivo brasileiro pode nem mesmo ser aprovado em 2018, segundo executivos anônimos do setor. De acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea, o presidente Michel Temer prometeu uma definição do programa para fevereiro, algo que já sabemos.

Mas, assim como também já foi revelado, a intenção da presidência é tocar o Rota 2030 somente após a votação da reforma da Previdência, que deve ocorrer até 19 de fevereiro. Megale revela que essa é a “prioridade” para o atual governo, pois possibilita um ajuste das contas públicas em longo prazo.

Porém, como 2018 é um ano de eleições, a política está acima de qualquer outro interesse. Segundo executivos do setor automotivo, ouvidos pela agência AutoData na condição de anonimato, existem dúvidas sobre se de fato do Rota 2030 será aprovado em fevereiro, após a reforma da Previdência. A suspeita é que nem mesmo em 2018 ele será efetivado, argumentam as fontes.

A questão é totalmente política, visto que o atual governo tem baixa popularidade e o Rota 2030 aprovado por este, beneficiaria um setor da economia altamente envolvido com a gestão anterior, antagônica à atual administração em Brasília. Em um ano eleitoral, qualquer associação do governo com setores que estavam intimamente ligados ao anterior pode gerar ainda mais rejeição ao atual.

Por conta disso, as fontes do setor dizem que não há vantagem política para o atual governo em aprovar um regime industrial exclusivamente para o setor automotivo, ficando esta proposta para o próximo governante. Os executivos dizem que isso não seria estranho acontecer no atual cenário político brasileiro.

Essa possibilidade parece ser reforçada pelo não cumprimento de uma promessa feita pessoalmente pelo presidente da República. Diante de executivos do setor, Temer havia prometido que o Rota 2030 sairia ainda em 2017, o que não aconteceu. Além da questão tributária que gerou atrito entre MDIC e MF, surgiu a questão da aprovação do programa após a conclusão do acordo de livre comércio com a Europa e agora o motivo é a aprovação da reforma da Previdência.

O ano de 2018 se iniciou e o Brasil não possui regras – nem mesmo um Marco Regulatório – para o setor automotivo, que atualmente está isento de sobretaxa de IPI e cotas de importação. Além disso, o fim de um decreto sobre o IPI de certos veículos diesel deixou de vigorar, retornando de 45% para 15%. Talvez para amenizar a questão do Rota 2030, Temer aprovou a edição de uma Medida Provisória para redução do IPI de 25% para 7% no caso de carros elétricos e híbridos.

Ainda assim, comenta-se que alguns executivos – especialmente estrangeiros – do setor automotivo estão perplexos pela falta de comprometimento do atual governo. Por sua parte, a Anfavea acredita que a mudança nos ministérios, visto que os atuais gestores estão saindo para concorrer nas próximas eleições, pode favorecer a aprovação do Rota 2030 ainda este ano, especialmente após a saída do ministro da Fazenda até abril.

Rota 2030? Talvez nem em 2018 Rota 2030? Talvez nem em 2018 Reviewed by Hg Admin on 22:09 Rating: 5

Nenhum comentário